PARCERIAS?

:: COLOQUE NOSSO BANNER NO SEU BLOG E AVISE. ::





Nosso Pagerank Meu PageRank

O CONTOS ANCESTRAIS ESTÁ LÁ: ENTRE OS 500 BLOGs DE LÍNGUA PORTUGUESA.
TopBlogsBrasil.com Diretorio 100% brasileiro
Uêba - Os Melhores Links

DÊ VALOR A QUEM CRIA!

Os textos aqui contidos, são de minha autoria e é proibida a reprodução, comercialização e quaisquer outras formas de cópia; do todo ou de partes (exceto as imagens que são de domínio público).Salvo minha expressa autorização.
    Page copy protected against web site content infringement by Copyscape
    Saiba onde tem o melhor preço antes de comprar
    Saiba onde tem o melhor preço antes de comprar

    Terça-feira, 24 de Julho de 2007

    "SEU" PAULO.


    Na rua todo mundo conhecia o "seu" Paulo. Era uma pessoa tranqüila, bom vizinho, prestativo e morava sozinho na casa enorme da esquina desde que a mulher dele o abandonara, fazia muitos anos.

    Os moradores mais antigos comentavam “a boca pequena”, que ela era uma mulher intragável e que trazia o “seu” Paulo na “rédea curta”. Qualquer coisinha, o menos deslize que fosse, “seu” Paulo era xingado e espezinhado em alto e bom som, para que toda a vizinhança ouvisse.

    Quando ela o abandonou, no meio da noite, e sumiu; todos deram graças a Deus pela incrível sorte daquele homem meigo, em se livrar daquela megera asquerosa. Sempre se perguntavam: “O que ele pode ter visto naquela mulher de maus bofes?”

    Incompreensivelmente, “seu” Paulo parecia ter ficado triste com a fuga da mulher. Era sempre visto arrumando a mesa do almoço para duas pessoas e, as tardes, punha uma linda mesa de chá junto à parede da varanda onde o sol batia, também para duas pessoas, e ficava horas conversando com o nada.

    Já aposentado, cuidava da casa, regava e tratava das flores que tinha por toda parte do quintal comum esmero quase feminino. Sempre que se passava pela casa do “seu” Paulo, sentia-se aquele aroma maravilhoso de flores, das mais diversas espécies.

    Os anos passaram e, “seu” Paulo, sempre naquele ritmo. Flores, jardim, almoço pra dois, chá da tarde, contar estórias para as criancinhas da rua, conversar com os vizinhos, ajudar os que precisassem. Enfim, o vizinho que todos gostariam de ter.

    Um dia, no entanto, “seu” Paulo não apareceu para cuidar do jardim. Não conversou com ninguém e nem contou estórias. Não foi visto aquele dia todo. Na manhã seguinte, com nova ausência do idoso, os vizinhos estavam assustados e se uniram em frente a grande casa: “Estaria doente? Teria sofrido um acidente doméstico?”

    Ninguém sabia o que havia acontecido, tentaram encontrar parentes. Mas, pelo que souberam, “seu” Paulo era sozinho no mundo. Resolveram, então, chamar a polícia e os bombeiros. As viaturas não demoraram mais que cinco minutos para chegar. Os policiais invadiram a casa, pulando o muro, e tentaram ver algo através das janelas. Sem sucesso. Circundaram a casa gritando, na tentativa de chamar a atenção de alguém que estivesse lá dentro.

    Como não havia qualquer sinal de vida, resolveram arrombar a porta. Uma pancada seca, e bem colocada, com os pés e a porta escancarou-se. A cena revelada era triste e chocante: Debruçado sobre a mesa, ainda posta, do jantar, jazia o corpo de “seu” Paulo. Estava morto. Um ataque cardíaco fulminante levara a vida do pobre homem. Os únicos fatos estranhos notados por todos, eram a expressão no rosto dele e as mãos... As mãos estavam apertadas sobre os ouvidos como se estivessem na tentativa de encobrir um barulho alto. Os olhos estavam esbugalhados e vidrados e a boca escancarada de forma estranha. Era uma expressão nada comum; parecia que haviam perturbado o velho até a morte.

    Os anos se passaram e a velha casa sem herdeiros, acabou condenada pela prefeitura. Os impostos de anos em atraso levaram ao leilão e a conseqüente compra, por uma empreiteira, e demolição.

    No dia que iniciaram as obras de demolição, toda a vizinhança se reuniu para uma prece pelo amigo querido e figura humana tão meia e prestativa. Ouviram as primeiras marretadas, no interior da casa. As paredes, antes ornadas com belos quadros e com jardineiras e vasos de flores penduradas, agora caiam impotentes ante aos golpes certeiros dos operários experientes. Todos lembravam da candura de “seu” Paulo e lamentavam que, muito em breve, nada mais haveria que lembrasse e velho carinhoso e sofrido.

    Num momento, as marretadas pararam. Houve um corre-corre de operários e alguns minutos depois, a polícia chegava. Todos ficaram atentos. Com certeza, algum operário se acidentara; talvez até morrera. Mas logo, os policiais chamaram os bombeiros, que chegaram acompanhados de um rabecão e um monte de jornalistas.

    Todos esperavam a saída do operário morto. Agora era certo. Afinal, o rabecão não apareceria ali à toa. Contudo, os repórteres invadiram a casa e, lá de fora, eles podiam ver as luzes dos flashs iluminando o que sobrara do interior da velha casa. Impacientes, a vizinhança, acabou forçando o isolamento e entraram na casa curiosos.

    Dentro da sala, que parecia um ovo de tanta gente, eles viram o que havia causado aquela confusão toda: Na parede do canto, bem em frente onde ficava a mesa de jantar, que “seu” Paulo arrumava sempre para dois e o mesmo lugar onde, do lado de fora, ele se sentava para tomar seu chá ao entardecer; já mumificado dentro da parede parcialmente destruída, estava o corpo de uma mulher.

    Ninguém falou nada, mas a vizinhança já sabia: Era a esposa “fujona” do “seu” Paulo. Lembraram do dia da morte dele e pensaram: “Ela deve ter perturbado o pobre homem até depois de morta”.

    Apesar da demolição da casa, “seu” Paulo, nunca mais foi esquecido lá na rua.

    Links to this post:

    Criar um link

    << Home