PARCERIAS?

:: COLOQUE NOSSO BANNER NO SEU BLOG E AVISE. ::





Nosso Pagerank Meu PageRank

O CONTOS ANCESTRAIS ESTÁ LÁ: ENTRE OS 500 BLOGs DE LÍNGUA PORTUGUESA.
TopBlogsBrasil.com Diretorio 100% brasileiro
Uêba - Os Melhores Links

DÊ VALOR A QUEM CRIA!

Os textos aqui contidos, são de minha autoria e é proibida a reprodução, comercialização e quaisquer outras formas de cópia; do todo ou de partes (exceto as imagens que são de domínio público).Salvo minha expressa autorização.
    Page copy protected against web site content infringement by Copyscape
    Saiba onde tem o melhor preço antes de comprar
    Saiba onde tem o melhor preço antes de comprar

    Terça-feira, 4 de Setembro de 2007

    O LIVRO.



    Como bom negociante, gostava de comprar empresas falidas, recuperá-las e vendê-las. Sempre conseguia um bom preço e, além de recuperar tudo o que gastei, tinha um excelente lucro. Era uma atividade a que poucos se dedicavam. Já que demandava muito tino comercial, muito capital disponível e muita inteligência para saber a hora certa de comprar e vender os empreendimentos.

    Mas, desta vez, era diferente. Por ter tido uma infância pobre, tinha carência de tudo. Mas uma coisa que mais me deixava triste, era não ter como comprar livros para ler. Eu adorava, lia tudo que me caía nas mãos. E era um verdadeiro rato de biblioteca. Acho que foi daí que acumulei as informações e ensinamentos que me permitiram galgar degraus mais altos na minha vida.

    Por isso mesmo, por pura nostalgia, comprei aquela pequena livraria falida e fechada fazia vários anos na esquina daquela rua. Sempre que passava por ali, pensava em recuperá-la e, ao invés de vendê-la; transformá-la num espaço cultural para crianças carentes. Mas nunca tive a oportunidade de encontrar o dono. Naquele ano, estava decidido. Contratei um detetive particular que, rapidamente, descobriu o dono. Era um velho árabe com mais de cem anos e sem descendentes. Vivia num asilo próximo e fechara a livraria por não ter mais como trabalhar.

    Ele hesitou muito em vender. Ofereci um valor várias vezes superior ao preço de mercado; mas ele sempre recusava. Dizia que a livraria não poderia ser vendida pra qualquer um. O motivo: nunca me contou. Mas ao ser informado que, quando morresse, o Estado tomaria conta do imóvel e de tudo que estava lá dentro, ele acabou concordando com a venda. Mas havia uma única condição: Quem comprasse deveria queimar todos os livros que haviam restado em seu interior.

    Era algo absurdo. Queimar livros? Aceitei a proposta apenas para que ele me vendesse. Como, estrategicamente, deixei essa recomendação de fora do contrato; eu poderia fazer o que quisesse com o que encontrasse por lá. Primeiro, veria se havia livros raros ou de valor e queimaria apenas o que já estivesse imprestável e destruído pelo tempo de abandono. Como ele exigia estar presente no ato da queima, esperava que não notasse nada.

    Assim o fiz. Contratei uma empresa para limpar o lugar e catalogar todas as obras que encontrassem por lá. A maioria já estava muito mofada ou danificada pelas traças e cupins. Mas várias obras raras e de alto valor comercial foram encontradas. Uma, em especial, me despertou interesse. Era um livro encadernado ricamente em couro, com apliques em ouro maciço e escrito à mão. Isso mesmo. Aquele livro era tão antigo, que era anterior a invenção da imprensa. Era inestimável.

    Conforme combinado, levei o velho livreiro para um terreno que alugara e, diante de uma pilha de livros de quase um metro de altura, ateei fogo a todos. Estranhamente, o velho livreiro virou-se e, encarando profundamente em meus olhos disse: “Jamais o leia”. Dizendo isso, desmaiou e foi levado para um hospital próximo, onde faleceu alguns dias depois. Suas palavras ecoaram em meus pensamentos por alguns dias. Mas acabaram caindo em esquecimento. Meses se passaram e ao retornar para casa após uma longa viagem de negócios, debrucei-me sobre aquele lindo e raríssimo exemplar.

    Era escrito em latim arcaico, provavelmente por monges beneditinos. Afinal, eram eles os responsáveis por toda a obra escrita da Igreja. Livros raros me fascinavam e para aproveitá-los em sua plenitude, aprendera o latim, o grego, e o sânscrito; além de vários outros idiomas e dialetos. Aquele estranho exemplar era diferente de tudo o que havia encontrado, lido ou sabido da existência. Era um livro sobre rituais mágicos e sexuais. Escrito por um monge em torno do ano 600 da era cristã. Um livro profano e proibido. Era estranho que a inquisição não o tivesse destruído. Pelo que havia naquelas páginas, facilmente, seu proprietário seria supliciado e queimado diversas vezes.

    Um ritual específico me fascinou: Era o que envolvia uma conjuração de um gênio destruidor durante o ato sexual. Esse gênio assumiria a forma que você desejasse e se encarregaria de destruir todos os seus inimigos. Levando suas almas para os portões do inferno e as aprisionando lá. Eles não morreriam, seus corpos ainda teriam vida; porém suas almas seriam cativas entre o mundo dos mortos e o dos vivos. Aparentemente isso os transformaria em verdadeiros vegetais e seus corpos terrenos ficariam em um estado semelhante ao coma; sendo libertados apenas após a sua morte física.

    Havia certas condições de preparação a serem seguidas à risca para que o ritual fosse bem sucedido. A mulher deveria ser jovem e virgem. O ato sexual deveria ser realizado sobre o feno recém colhido em uma manhã de solstício (*). E, isso era o principal, certas palavras deveriam ser pronunciadas numa seqüência exata no momento preciso do orgasmo do macho. Assim, seu sêmen, ao ser despejado nas entranhas da virgem; seria a matéria de fecundação e reincorporação do gênio. A partir daí, tudo se faria sem acompanhamento e complicações maiores.

    Não sei se por curiosidade ou por necessidade, naquela época estava sendo investigado pela Receita Federal e por vários órgãos de fiscalização por alguns problemas com impostos. Estava muito preocupado com isso e detestaria perder milhões em multas e ainda correr o risco de passar um tempo na cadeia.

    Resolvi testar e realizar o ritual. Comprei um pequeno sítio onde se plantavam forragens para animais e contratei os serviços de cafetinas de várias cidades para que me conseguisse uma jovem virgem disposta a prostituir-se, por uma soma considerável em dinheiro. O mais difícil foi aguardar e refrear a ansiedade até o próximo solstício.

    Com tudo arranjado, na véspera do dia do solstício, viajei junto com a jovem que me fora recomendada para o sítio. Afinal de contas, não seria uma perda total, caso nada funcionasse. A jovem que a cafetina me enviou era magnífica: Alta, cabelos até os quadris, seios fartos e firmes, coxas maravilhosamente delineadas sob um fino vestido preto. Dava pra sentir que aquela mulher era dotada de um corpo escultural e voluptuoso. Eu já estava ansioso.

    Chegamos à noitinha e mandei os empregados colherem o feno e o arrumarem no celeiro, de forma que pudéssemos nos deitar sobre ele. Preparada a cama, decorei o lugar com os símbolos que o ritual exigia e, ao lado da “cama”, coloquei uma bela garrafa de vinho e alguma comida. Queria que ela se sentisse mais à vontade e relaxada. Perto da “cabeceira”, coloquei o livro. Dormiríamos cedo e abraçados, um despertador estrategicamente ajustado, nos acordaria bem próximo ao nascer do sol.

    Na hora marcada, o despertador inicia uma gritaria e ela acorda. Eu não consegui pregar os olhos à noite toda e estava superexcitado. Comecei abraçando-a e beijando seu rosto e boca carinhosamente, dormira nua e explorar seu pescoço e seios foi fácil e teve um resultado estonteante. A morena respirava com mais força e gemia baixinho; olhos fechados e rosto vermelho de prazer, seu corpo escultural era percorrido por arrepios e pequenos tremores. Ela delirava e crispava suas unhas em minhas costas, o que causava um misto de dor e prazer mais intenso. Finalmente, quase no clímax, penetrei-a com força e senti suas defesas rompendo-se e me aceitando em seu templo de amor. Um gritinho abafado e contido rasgou o ar e foi logo envolvido por mais gemidos, palavrões sussurrados ao pé do ouvido, movimentos frenéticos e mãos que exploravam os corpos como se desejassem transmitir as sensações intensas que as devastavam. Sentia-me forte e poderoso, sentia uma ereção imensa e um prazer quase espiritual. Algo que nunca sentira antes. Já me contendo, estiquei os braços para apanhar o livro. Sentia um calor intenso. Era como se meu corpo inteiro queimasse. Comecei a recitar as palavras com minha voz embargada pelo prazer e pelo esforço que fazia. A mulher me devorava com uma fome animalesca. Continuei a recitar os versos mais rapidamente, pois sentia que não conseguiria me conter mais.

    Porém no exato momento em que ejaculava em seu interior, antes inexplorado, e proferia a última palavra da evocação. Ela, no êxtase extremo, cravou as unhas em minhas costas e apertando-me contra seu próprio corpo beijou-me.

    Nesse exato momento, senti minha alma se esvaziar dentro dela. Saciado e cansado, deixei meu corpo entorpecido cair sobre o seu. Quase no mesmo instante, ouvi um grito abafado. Olhei na direção do som e pude ver uma pequena sombra que deslizava sobre o feno, partindo das páginas ainda abertas do livro. Horrorizado, recuei e levantei-me num salto. A sombra crescia e envolveu a mulher que, exausta, havia dormido relaxada. Quando a estranha sombra a tocou, seus olhos abriram-se quase saltando das órbitas, como num espasmo. Tentou gritar, mas apenas o ar saiu por sua boca. Ela elevou o tronco e deixou-se cair no mesmo instante. Estava morta.

    A sombra então, moveu-se insidiosamente em minha direção. Sem entender direito o que ocorria, saí em disparada pelo sítio e mergulhei em meu carro. Enquanto acelerava na estrada, via pelo retrovisor, a estranha sombra perseguindo-me à distância.

    Onde quer que eu fosse e por onde eu andasse, lá estava ela. A estranha sombra me perseguia. As únicas horas em que tinha paz, era quando estava num ambiente totalmente sem luz. Onde nenhuma sombra pudesse existir. Pois, sem a luz não há trevas. E lá, o estranho espírito que libertei vive. Um dia sei que ele irá me alcançar e me destruir. Por isso, vivo na mais completa escuridão. Desde aquele dia, nunca mais vi o sol nem pude me aproximar de uma fonte de luz qualquer. Tornei-me um ser das trevas. Um enterrado vivo. Sem encontrar quem me ajude, escrevo aqui minha história para que não caiam na mesma cilada do destino. Escrevo nas trevas e para as trevas. Escrevo para desabafar meu infortúnio e aliviar meu desespero. Pois sei que essas linhas só sairão daqui quando eu morrer.


    (*)solstício é o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge o seu maior afastamento, em latitude, da linha do equador. Os solstícios ocorrem duas vezes por ano: em 21 ou 22 de dezembro e em 21 ou 22 de junho. A data varia devido aos anos bissextos, que oscila entre o calendário das estações em um dia. No hemisfério sul, o de dezembro é o solstício de verão e o de junho é o solstício de inverno. O oposto acontece no hemisfério norte.




    Compare preços de:


    Links to this post:

    Criar um link

    << Home