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    quarta-feira, 17 de outubro de 2007

    SEMANA DE ANIVERSÁRIO - CONTO PARTICIPANTE (LAURA INAFUKO).


    Dando continuação a nossa SEMANA DE ANIVERSÁRIO, segue mais um dos contos participantes do nosso concurso. Ele foi enviado pela Laura Inafuko: Apreciem.

    Os contos serão publicados aqui exatamente como foram enviados, não há qualquer tipo de revisão ou correção.

    Arthurius Maximus


    UM SONHO.

    Estava com frio, embora a temperatura estivesse amena. Onde estaria? Olhou ao seu redor, tentando reconhecer o lugar. Parecia ser a rua de sua casa, assim como parecia ser uma outra rua qualquer. Os postes iluminavam o caminho com uma fraca luz alaranjada, e os céus, sem lua, contribuíam para deixar o clima mais sombrio.

    Sentiu seus dentes cerrarem com força. Tentou abrir a boca, sem êxito. Bingo! Estava sonhando. Com certeza era um sonho. Só perdia o controle do seu corpo durante o sono. No entanto, as sensações que tinha era tão reais, que custava-lhe acreditar que sonhava.

    Suas mãos suavam e estavam intensamente geladas. Era o perigo no ar. Todo o seu corpo ficou em alerta e percebeu que só conseguiria acordar se seguisse a rua até chegar à sua casa, para descansar. A incoerência do seu sonho… precisava dormir para acordar. Talvez esse sonho estranho tivesse origem na última noite não-dormida.

    Suspirou conformado. O jeito era seguir em frente e ver se no percurso conseguisse acordar.

    Nem bem começou a andar, viu um estranho homem com uma jaqueta preta aproximar-se de sua pessoa. Ele portava uma faca e seu rosto estava coberto por uma espessa sombra que os olhos do rapaz sonhador não conseguia penetrar.

    De repente, o homem da jaqueta anunciou o assalto. O jovem rapaz desvencilhou-se do estranho e o derrubou no chão, livrando-se de ser roubado. Não sentia medo. Sabia que nos seus sonhos não poderia sair machucado. Embora não pudesse acordar, não seria ferido dentro deles.

    Olhou para a rua, e resolveu continuar. A sensação de perigo ainda não havia se dissipado. Era preciso enfrentá-lo. Ou então ficaria preso naquele tormento.

    Andava com cautela, esperando qualquer tipo de surpresa. Olhou para as casas e notou que não tinham portões nem muros. Pensou consigo mesmo o quanto seria fácil assaltá-las.

    E a casa passo que dava, maior era a sensação de perigo. Divertia-se, ao mesmo tempo que sentia medo.

    De repente, uma voz. Era o seu nome que chamavam. Pensou que fosse sua mãe tentando acordá-lo e tentou dizer em voz alta que era preciso chegar em casa primeiro, mas a garganta continuou muda. Nenhuma palavra saía de sua boca.

    Olhou ao seu redor, procurando a dona da voz. Não havia ninguém. Começou a inquietar-se. Alguma coisa não estava bem.

    E então, mais uma vez o chamado. Mas desta vez, era um grito forte que vinha de uma casa escura.

    Correu e tentou abrir a porta, mas esta estava trancada. Forçou-a uma ou duas vezes, e logo a madeira podre cedeu. De dentro, um cheiro forte de mofo.

    Não havia luzes nem móveis, apenas uma menina no centro do cômodo. Conhecia-a de algum lugar. Aquele rosto e os cabelos claros eram tão familiares… Quem seria? E sem que se desse conta, vi a menina se aproximando. Quem seria? Vinha devagar, em sua camisola rosa. Quem seria? E a menina deu-lhe um pequeno beijo nos lábios.

    De repente, reconheceu-a. Era ela! A menina que havia roubado o seu coração, impiedosa. Mas, ao invés dos 17 anos que possuía, lá estava ela num corpo de 12.

    Um súbito medo começou a se apossar de sua alma. Os lábios da pequena estavam gelados demais, e em seus olhos assustados, um grito mudo de desespero. A delicada boca movimentava-se, mas nenhuma palavra se ouvia.

    Fitou-a, assustado, e então a abraçou. Susto! A camisola estava ensopada, como se ela tivesse acabado de sair de uma piscina ou algo do gênero. Procurou seus olhos, tentando encontrar alguma resposta. Talvez eles pudessem falar mais que seus lábios.

    E então, negro abismo. Nada mais via. Só ouviu um último som e uma última sensação. Era algo pesado, como um frágil corpo, caindo na água e a terrível impressão de estar sendo estrangulado por duas mãos finas e geladas…



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