segunda-feira, 15 de outubro de 2007
SEMANA DE ANIVERSÁRIO - CONTO VENCEDOR DO CONCURSO.
![]() Esse é o conto vencedor do Primeiro Concurso de Contos do Blog Contos Ancestrais. Como parte das comemorações do aniversário do blog, esta semana, publicarei a cada dia um dos contos enviados pelos concorrentes. Assim, todos poderão conhecer a alta qualidade dos textos recebidos e principalmente a criatividade do pessoal. Peço ao Ronan Segatto, o autor vencedor, que entre em contato para fornecer os dados de envio do prêmio. Previamente, enviei um e-mail a todos os participantes comunicando o ganhador. Mesmo assim, quero agradecer de público a todos os que participaram e mandaram seus textos. Foi um prazer ler cada um e acompanhar as reações das outras pessoas que participaram das avaliações. Os contos serão publicados aqui exatamente como foram enviados, não há qualquer tipo de revisão ou correção. Mais uma vez, agradeço a todos os que participaram e espero novas participações futuras. Muito obrigado! ![]() O Blog Onze horas da noite, ele já estava na lan house fazia quase uma hora e começava a se aborrecer. Nenê (não gostava do apelido, mas era melhor do que Nelson, nome de velho aquele seu!) não encontrou ninguém da sua galera nem tinha balada em vista; na lan, só uns caras jogando Counter Strike. Pra mais de um ano que enjoara de CS ("porra, ainda tem gente que joga isso?!"). Pegou uma Coca, passou a vista nuns sites pornô, entrou no MSN, ninguém on ("ué, cadê o pessoal?"), saiu. No Orkut, olhando as comunidades, viu um endereço de blog que o deixou curioso, acessou; era de contos de terror e suspense! Começou a ler pelos últimos posts. Logo se animou, o cara era bom; começava as histórias como quem não queria nada, parecia até que estava contando fatos do cotidiano, e de repente vinha à paulada: serial killers, demônios, bichos escrotos, fantasmas... Enredos de todos os tipos, finais surpreendentes, um desfile mórbido pra fã nenhum botar defeito! Pediu mais uma hora, começou a ler do início pra sentir a evolução dos contos, tomou mais uma Coca, leu tudo o que podia. Antes de estourar o tempo, voltou ao início e deixou um comentário no último post: "Pqp, que louco! Muito bom teu blog, cara! Virei fã, não saio mais daqui! =] abs" Anotou o endereço, pagou as horas na net e saiu de alma lavada, prometendo para si mesmo conferir o restante depois. Na rua a caminho de casa ainda vibrava com o que havia lido, quando reparou na coincidência estranha: as lâmpadas dos postes se apagavam antes que ele chegasse perto (*nunca aconteceu com você?*); viajou ainda mais no clima de mistério, se imaginando num filme de terror, e foi contando: cinco, seis, sete... ("caramba! Isso não acaba mais, não?!"); onze, doze, treze... Não acabava; de repente se deu conta, com um arrepio gelado na espinha, que já devia estar andando a mais de meia hora, e a lan house ficava a apenas dois quarteirões da sua casa. Olhou em volta, as ruas estranhamente vazias e silenciosas em pleno começo de sábado ("cadê o povo da balada, o som bombando nos carros preparados, as minas gritando e rindo, as latinhas de cerveja e copos de plástico nas sarjetas, o barulho nos bares abertos?"). Ali no escuro, na cidade irreconhecível como que abandonada, o pânico nascendo nele, Nenê começa a correr tentando alcançar a luz do poste vários metros à frente: inútil, nem chegava perto do círculo de luz e puf!, ela morria! Assustado, virou-se e começou a correr de volta para a lan, rezando para alcançar aquele último porto seguro, sem mais conter as lágrimas que ardiam em seus olhos; o grito de desespero, enorme dentro do peito, mal escapava dos lábios morria sem chegar nem mesmo aos próprios ouvidos. E as ruas se alongando ao infinito não importava para que lado ele se virasse, a escuridão fria envolvendo-o por mais que ele corresse na direção da luz zombeteira dos postes. Vagou sem destino por horas, o suficiente para o sol raiar e nascer o dia. Mas o dia não veio, como não veio o esgotamento físico, apesar de todo o cansaço que sentia; era só a noite negra e solitária nas ruas vazias e geladas, sempre e sempre. Gritou até não poder mais, mesmo sem poder se ouvir; quis parar e sentar chorando na sarjeta, como uma criança perdida querendo o colo da mãe; mas nas trevas o medo crescia como um monstro emboscado embaixo da cama, o pânico aumentando até que ele saísse correndo feito louco... Perdido entre o nunca mais e lugar nenhum, Nenê sentia a loucura nos calcanhares, a última corda da sanidade esticada até o impossível sem nunca arrebentar e conceder-lhe o descanso na inconsciência irracional. Descanso que para ele, assim como para muitos outros antes, jamais chegaria, presos que estavam nos contos do astuto demônio dos tempos ancestrais, que encontrara um meio de disseminar sua magia pestilenta via Internet, criando histórias de horror a partir da danação das almas aprisionadas no inferno de um blog enfeitiçado. Quanto ao Nenê, virou mais um número em estimativa de pessoas desaparecidas. Nunca mais foi visto. Quer deixar um comentário? (Conto Enviado por Ronan Segatto) Compare preços de: |










